
POROROCA – (do tupi Poro’roka, de Poro’rog, estrondar).
A palavra Pororoca vem do termo poroc poroc que significa “destruidor, grande estrondo”, no dialeto indígena do baixo do rio Amazonas. Ocorre na mudança das fases da lua, principalmente na época dos equinócios (fevereiro a maio, agosto e setembro), mais intensamente nos períodos de maré viva ou de sizígia, ou seja, lua cheia e lua nova. O fenômeno começa devido ao encontro das águas do rio e do mar, quebrando o ciclo comum de seis horas de maré vazante e seis horas de maré enchente. Toda a água do rio, que vaza em direção ao oceano, fica retida e represada pela água salgada, pois não se misturam devido a densidades diferentes. Quando a maré quebra o ciclo de vazante ela começa a encher e quando as águas vindas do oceano chegam à desembocadura de um rio, formam elevações com até quilômetros de comprimento, que se movem rio acima com velocidade de 20 a 40 Km/h. O encontro entre as águas doce e salgada provoca ondas que podem alcançar até quatro metros de altura avançando rio adentro. Este choque das águas tem uma força tão grande que é capaz de derrubar árvores, naufragar embarcações e causar erosão, modificando o leito do rio. O barulho ensurdecedor ouve-se até com uma hora de antecedência. Alguns minutos antes de chegar, há uma calmaria, um momento de silêncio. É ela que se aproxima.
Os caboclos já sabem que nos períodos de grandes marés devem procurar um lugar seguro como enseadas, igarapés, ou mesmo, os pontos mais profundos dos rios para aportar suas embarcações. A Pororoca manifesta-se no Amapá, Pará e Maranhão. Fenômeno idêntico observa-se em muitos rios do mundo com designações peculiares. Os franceses que tem nos rios Garrone e Dorgdone denominando de Mascaret; os ingleses registram-no nos rios Tamisa, Severn e Trent com o nome de Bore e também nos rios Hughly e Megma, braço do Bramaputra, chamando-lhe Macaréu. Os chineses admiram-no no Rio Quintang, na baia da cidade de Hangzhou, com o apelido Dragão Negro (Black Dragon). Produzem-se ainda no Alaska, Índia, Malasya, Austrália, entre outros rios que possuem grandes variações de marés, que se encontram perto de grandes estuários.
Tsunami é igual à Pororoca?
Este livro é dedicado também em memória às vítimas do Tsunami, que se formou em dezembro de 2004 no continente asiático, onde milhares de pessoas perderam suas vidas diante de um fenômeno muito similar com a pororoca. Essa é uma questão que faz as pessoas refletirem no que a natureza é capaz. Podemos até fazer uma analogia entre o Tsunami e a Pororoca, comparando a formação das duas ondas. Ambas surgem após a maré se recolher para o oceano, formando uma seqüência de ondulações com dezenas de metros de comprimento, que viajam numa velocidade além do comum até chegar nas costas litorâneas e devastar tudo o que estiver na sua frente. O mesmo mecanismo de uma onda normal acontece com as ondas de maré e o Tsunami. Enquanto elas estão com a forma de ondulações, navegam em águas profundas, assim mantendo sua velocidade e tamanho original. Mas quando começam encontrar águas mais rasas, as ondulações se transformam em ondas gigantes, que de acordo com o desenho do fundo podem-se formar ondas perfeitas ou apenas grandes espumeiros, que ao longo de um trajeto raso vai perdendo força e intensidade. Com escala e proporções diferentes a pororoca tem o poder de arrasar a floresta e o Tsunami acaba com praias e ilhas, porém a pororoca é um evento que acontece periodicamente, ao contrário do Tsunami. No estado do Amapá, norte do Brasil, a Ilha de Maracá está com seus dias contados, sua sentença foi dada pela pororoca que no máximo em 100 anos estará fora do mapa. Toda vez que a pororoca surge, ela “come” parte das margens, diminuindo cada vez mais sua área. O mesmo acontece com igarapés que se tornam rios e rios estritos que passam a ficar largos. Na França nos pontos em que o fenômeno da Mascaret surge com mais intensidade, foram despejadas pedras nas margens para conter a erosão e acabaram sem querer, formando point breaks (fundos de pedra) perfeitos para a prática do surf.
O que é Tsunami?
Tsunami significa "onda de porto" em japonês. Oceanógrafos tratam ondas sísmicas como tsunamis por serem normalmente geradas por aumento ou diminuição súbita de parte da crosta terrestre sob ou perto do oceano. Ondas tsunami de força menor também podem ocorrer por atividade vulcânica, geralmente no Oceano Pacífico. Uma tsunami não é uma única onda, mas uma série que percorre o oceano com velocidade acima de 800 quilômetros por hora. Ao atingir a costa, diminui a velocidade da ondulação. Mas, em contrapartida, aumenta a altura das ondas, podendo alcançar 30 a 50 metros. (Fonte: Tsunami.org)